word… abrir o word e escrevinhar… essencialmente é assim que me ponho a escrever estas minhas pessegadas. não, não ando de bloco em punho nem de mini gravador na algibeira à procura de não deixar escapar ideias soltas.
de uma forma ou de outra, o gesto de escrevinhar é uma dificuldade para quem não é versado na palavra, para quem não tem esse dom, para quem não tem essa capacidade… se é que isto de escrevinhar é um dom.
mas não importa. acaba por ser uma coisa difícil que, quando se consegue, quando se conquista, transmite um gozo de alguma forma inexplicável. uma espécie de travessia custosa de um qualquer mar inóspito, mas em que remamos exclusivamente contra nós próprias, intima portanto.
contudo pode dar-se o reverso da medalha - ou da moeda, não sei, são frases feitas, inúmeras, incontáveis -, e essa travessia pode sair gorada.
de uma forma ou de outra, o gesto de escrevinhar é uma dificuldade para quem não é versado na palavra, para quem não tem esse dom, para quem não tem essa capacidade… se é que isto de escrevinhar é um dom.
mas não importa. acaba por ser uma coisa difícil que, quando se consegue, quando se conquista, transmite um gozo de alguma forma inexplicável. uma espécie de travessia custosa de um qualquer mar inóspito, mas em que remamos exclusivamente contra nós próprias, intima portanto.
contudo pode dar-se o reverso da medalha - ou da moeda, não sei, são frases feitas, inúmeras, incontáveis -, e essa travessia pode sair gorada.
acima de tudo esforçamo-nos por chegar ao fim, apesar das vicissitudes, apesar das correntes contrárias, apesar da forte ondulação.
o poder da não desistência.
“vaaaai!... até ao fiiim!” berram algumas personagens, de lá do meio da plateia! meio cheia, ou meio vazia, dependendo do estado de espírito de cada um.
alheadas de tudo, concentradas apenas em nós próprias, nem escutamos aquelas vozes de empurrão, de apoio. soam-nos como algo distante. vibram lá ao fundo, estridentes, esganiçadas, mas longínquas. viradas para dentro, não lhes prestamos atenção.
piruetas balbuciadas, tremidas reviravoltas, cambalhotas, rodas, espargatas sem esforço, é nisso que nos concentramos. em não perder as maças, em não ficar enleadas na fita, em não nos enrodilharmos na corda, em não deixar sair disparado o arco, directamente até à cabeça de um qualquer príncipe encantado que possa estar na plateia, embasbacado a olhar para tudo menos para uma coreografia ensaiada a custo de suor e algumas lágrimas. à bola só dá vontade de lhe dar um chuto.
mas sorrir, sorrir sempre!
tudo isto perante aqueles olhares perscrutadores, próximos. tão próximos que lhes conseguimos ver o brilho, irónico, altaneiro, de quem tudo sabe, de quem tudo conhece. de caneta em riste, cruzinha após cruzinha, rabisco após rabisco, submergem-nos de pontos, contam-nos os desequilíbrios, apontam-nos as falhas.
sem dó nem piedade.
o pezinho mal esticado, a mão mal colocada, a perna que não chegou exactamente à bendita verticalidade apontando para um céu distante, ou o voo entusiástico que foi longe demais, tropeçando num risco vermelho, delimitador mas invisível, tudo conta, tudo sofre um rigoroso apontamento nos papelinhos que têm pela frente!
para nosso descontentamento…
mas continuar a sorrir, a sorrir sempre!
chegar ao fim, não ter desistido a meio caminho - no natal, na páscoa, nos trinta segundos após o soar de um ridículo “piiip”, ou depois de termos sido vaiadas por nos termos embrulhado nas palavras , será esta porventura a grande vitória, apesar do sempre presente nervoso miudinho, dos vómitos e das noites mal dormidas, das dores de alma e de corpo também. esse talvez tenha sido o dom adquirido. não desistimos! independentemente do resultado, em primeiras, terceiras ou quartas, vigésimas, septuagésimas ou últimas, tanto faz.
não, não foi por isso que ali estivemos. não foi pelas medalhas, nem pelas pancadinhas de satisfação nas costinhas, nem tão pouco pelo regozijo de alguns orgulhosos. como eu…
foi. e só isso.
e pelos sorrisos, sempre pelos sorrisos! pelos sorrisos dos outros.
agora? agora tratar do corpo que a alma foi maltratada…
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