sexta-feira, 26 de Junho de 2009

princesas!

word… abrir o word e escrevinhar… essencialmente é assim que me ponho a escrever estas minhas pessegadas. não, não ando de bloco em punho nem de mini gravador na algibeira à procura de não deixar escapar ideias soltas.
de uma forma ou de outra, o gesto de escrevinhar é uma dificuldade para quem não é versado na palavra, para quem não tem esse dom, para quem não tem essa capacidade… se é que isto de escrevinhar é um dom.
mas não importa. acaba por ser uma coisa difícil que, quando se consegue, quando se conquista, transmite um gozo de alguma forma inexplicável. uma espécie de travessia custosa de um qualquer mar inóspito, mas em que remamos exclusivamente contra nós próprias, intima portanto.
contudo pode dar-se o reverso da medalha - ou da moeda, não sei, são frases feitas, inúmeras, incontáveis -, e essa travessia pode sair gorada.



acima de tudo esforçamo-nos por chegar ao fim, apesar das vicissitudes, apesar das correntes contrárias, apesar da forte ondulação.
o poder da não desistência.

“vaaaai!... até ao fiiim!” berram algumas personagens, de lá do meio da plateia! meio cheia, ou meio vazia, dependendo do estado de espírito de cada um.
alheadas de tudo, concentradas apenas em nós próprias, nem escutamos aquelas vozes de empurrão, de apoio. soam-nos como algo distante. vibram lá ao fundo, estridentes, esganiçadas, mas longínquas. viradas para dentro, não lhes prestamos atenção.



piruetas balbuciadas, tremidas reviravoltas, cambalhotas, rodas, espargatas sem esforço, é nisso que nos concentramos. em não perder as maças, em não ficar enleadas na fita, em não nos enrodilharmos na corda, em não deixar sair disparado o arco, directamente até à cabeça de um qualquer príncipe encantado que possa estar na plateia, embasbacado a olhar para tudo menos para uma coreografia ensaiada a custo de suor e algumas lágrimas. à bola só dá vontade de lhe dar um chuto.
mas sorrir, sorrir sempre!
tudo isto perante aqueles olhares perscrutadores, próximos. tão próximos que lhes conseguimos ver o brilho, irónico, altaneiro, de quem tudo sabe, de quem tudo conhece. de caneta em riste, cruzinha após cruzinha, rabisco após rabisco, submergem-nos de pontos, contam-nos os desequilíbrios, apontam-nos as falhas.
sem dó nem piedade.



o pezinho mal esticado, a mão mal colocada, a perna que não chegou exactamente à bendita verticalidade apontando para um céu distante, ou o voo entusiástico que foi longe demais, tropeçando num risco vermelho, delimitador mas invisível, tudo conta, tudo sofre um rigoroso apontamento nos papelinhos que têm pela frente!
para nosso descontentamento…
mas continuar a sorrir, a sorrir sempre!
chegar ao fim, não ter desistido a meio caminho - no natal, na páscoa, nos trinta segundos após o soar de um ridículo “piiip”, ou depois de termos sido vaiadas por nos termos embrulhado nas palavras , será esta porventura a grande vitória, apesar do sempre presente nervoso miudinho, dos vómitos e das noites mal dormidas, das dores de alma e de corpo também. esse talvez tenha sido o dom adquirido. não desistimos! independentemente do resultado, em primeiras, terceiras ou quartas, vigésimas, septuagésimas ou últimas, tanto faz.
não, não foi por isso que ali estivemos. não foi pelas medalhas, nem pelas pancadinhas de satisfação nas costinhas, nem tão pouco pelo regozijo de alguns orgulhosos. como eu…

foi. e só isso.

e pelos sorrisos, sempre pelos sorrisos! pelos sorrisos dos outros.

agora? agora tratar do corpo que a alma foi maltratada…
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quarta-feira, 13 de Maio de 2009

ausências...




sem título
(convento de s. joão de tarouca)

domingo, 26 de Abril de 2009

olhos azuis!


"a caricatura, como a crónica, é uma arma terrível: ataca mais perversamente e defende-se com inocência; dá uma grande punhalada, depois toma ar de candura e fica-se toda risonha, fazendo acenos e afagos; e depois, como se há-de combater se está estabelecido nos costumes que ela não pode ser tomada a sério? (...)
ela não respeita nada e fala nas coisas que o individuo mais ama."

eça de queiroz


segunda-feira, 6 de Abril de 2009

'tou de férias!

estranho,
isto de estar de férias sem contudo o estar efectivamente.
somos multifacetados. até na vida real...

permitimo-nos interpretações e reinterpretações. do que foi, do que é e do que será...
"this blog is not dead", é uma afirmação que para alguns será verdade, para outros nem tanto. outros ainda não se arriscam em avaliar perspectivas futuras...
para mim, já nem sequer tem importãncia... perdemos o ritmo, vamo-nos distanciando, dedicando às coisas que achamos importantes. no momento.


ou quanto muito que têm a importância do vício.

do vício do cigarro que se fuma mesmo quando a boca já está completamente seca, a pedir água e não alcool.
se bem que este ajuda a fumar mais um, outro e ainda outro...
eu ainda não acabei os meus afazeres, ainda é cedo para voltar a fumar...

aproveito esta pausa(sinha..), a das férias da páscoa, das amêndoas e dos coelhinhos de chocolate, para dar alguma música aos distintos ouvintes... é palermice minha, bem sei, pois esta tarefa estava a cargo do querido e sempre ausente ernesto, tarefa que ele tem vindo a executar com admirável mestria! o sacanita percebe da poda!
mas, ao que parece, também ele anda com trabalhos a mais...


de qualquer forma, e em jeito de afirmação intempestiva, prefiro e gosto mais destas novidades!
ainda por cima (re)interpretações à portuguesa!!! bis e olé!

(copos a mais e férias (mesmo que parciais...) é no que dá!)

enjoy!





Pump Up The Jam from Norton on Vimeo.

segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

comentário

esta merece um juvenil LOL!

5! 4! 3! 2! 1! lift off!...

domingo, 19 de Outubro de 2008

o segundo!

jantar... ou aquelas coisas a que chamamos de "blind dates"...
arranjamo-nos todas, pintamos os olhos, damos uma corzinha às bochechas, arrancamos tão delicadamente quanto podemos aquele pelinho que não define exactamente como queremos a linha das sobrancelhas. ainda damos um pequeno retoque no “eyeliner” e pegamos no frasquinho do “hermes”. com o dedo mindinho colocamos pequenas gotículas atrás da orelha, no colo e no pescoço, e lá vamos, em bicos de pés, cheias de medo, ter com um desconhecido qualquer, com quem apenas cruzámos meia dúzia de mensagens pelo telemóvel, ou com quem estivemos na conversa em “chats”, ao longo de outras tantas noites...
mas inspirou-nos confiança, e lá fomos, eu e a minha ansiedade, ter com alguém desconhecido...

cheguei antes ao restaurante... sentei-me confortavelmente e aguardei, enquanto bebia aquela bebida que me escuso de mencionar o nome. diga-se de passagem que aquilo como aperitivo é uma verdadeira desgraça e desgraça-nos... neste caso, ainda bem que assim foi.

passado muito pouco tempo entra pelo restaurante adentro uma figura masculina acompanhada de uma rapariguinha de tenra idade, de olhos meigos, amendoados, castanhos. chamou-me mais a atenção a beleza e a graciosidade da miúda do que o rapazola que a levava pela mão. o que é certo é que se dirigiram à minha mesa, com nítida intenção de me cumprimentarem... e, para meu espanto, assim o fizeram!
a miúda, bem disposta, com beijinhos repenicados e meigos, e pequenos abraços delicados.
o mastronço atrapalhadíssimo, corado como um tomate, estendendo-me a mão...
então não é que aquele “menino” era o meu "encontro às cegas"? o estuporado nem bonito era, e ainda por cima vinha acompanhado!
acompanhado da filha!
onde é que isto já se viu? que eu tenha conhecimento, em lado nenhum!

sentei-me meio aparvalhada, sem saber muito bem como reagir nem tão pouco o que dizer... felizmente o aperitivo fez os estragos necessários para que a mente reagisse de forma, no mínimo adequada, sem me exaltar perante aquela cena no mínimo surreal... tentei descontrair-me e usufruir do momento…
a conversa desenrolou-se, quase de forma natural em torno da criança, do que fazia, o que é que ele pensava dela, a idade da pequena… enfim, trivialidades de pai babado, palerma, que ia perder uma belíssima oportunidade de estar comigo...

mas contou e conversou, e contou bem…

“há uns dias atrás tive um assomo de saudades de tal forma violento que quase me rolavam lágrimas pelos olhos abaixo, coisa que já não me acontece há uns bons anos, desde a minha pré-adolescência praticamente...
esta que está aqui ao meu lado fez nove anos. na brincadeira no dia de anos dela, ao pegá-la ao colo, coisa que já me começa a custar sobremaneira, veio-me à memória o dia em que a pirralha nasceu...
eu assisti à brincadeira do nascimento da miúda, uma situação relativamente prolongada mas que felizmente acabou sem grandes problemas, numa cesariana de fácil desenlace. assisti é uma forma de dizer, porque não vi absolutamente nada, apenas apoiei a mãe com alguns mimos, uns quantos dedos de conversa, uma ou outra festa e uma mão sempre apertada.
mas o que é certo é que fui o primeiro, logo após a parteira, a ter nas minhas mãos aquele nico de gente! depois fui assistir às restantes e primordiais cerimónias de boas vindas aos bebés que vêm ao mundo, com uma série de testes feitos por mãos experientes, em que a criança dá voltas e mais voltas naquelas mãos. vê sexo, espreme pé, esfrega a cabeça, caminha para trás, caminha para a frente... só faltou dar umas quantas piruetas no ar e uma ou outra cambalhota!
aquilo ia-me pondo doente! no mínimo apoquentado e com vontade de tirar a criança das mãos do energúmeno e, logo de seguida, espetar-lhe uns quantos sopapos nas ventas!!!
correu tudo bem, naturalmente, pois o homem, pediatra com anos daquilo, muito provavelmente, estava como peixe na água a fazer aquele número acrobático, com a minha filha como parceira, sem qualquer espécie de problema! provavelmente estaria até a gracejar do meu nervoso miudinho...
depois de terminado o "número de circo", peguei na miúda e fui com ela em braços, cheio de medo de tropeçar e com receio que o céu me caísse em cima da cabeça, até ao quarto da mãe, que tinha ficado completamente arrombada com a anestesia. o quarto era num piso inferior, e descer escadas, com ela apertada em mim, foi verdadeiramente aterrador!
mas a cena seguinte, essa sim, foi digna de registo: - eu com uma touca na cabeça e uma bata, tudo azulinho e asséptico, com a miúda nas mãos, embrulhada em algo de que já não me recordo o que seria, a passar pela sala de espera onde estava toda a gente, amigos e familiares à minha espera! não esperavam é que aparecesse acompanhado! foi giro, foi sim senhora, ver aquelas caras pasmadas a olhar para mim e para a bébé! não sei bem se estava com ar de tonto acabado de fugir do hospício, se com ar de palhaço... o mais provavel é que estivesse com ar verdadeiramente assustado...


mas no dia dos anos dela, na brincadeira, peguei-a ao colo e recordei aqueles momentos, com uma porra de uma nostalgia de chorar!

mas não chorei... sou muito macho!!!
sou nada, mas não choro... vá lá saber-se porquê. fica só aquele nó na garganta, não passa para cima, nem vai para baixo... coisas inexplicáveis...”


restou-me, no fim da curta noite, porque a criança tinha que ir dormir, a promessa de que voltaria a sair com ele, mas noutras circunstâncias, naturalmente…
e, só para lhe tentar ganhar alguns pontos, dei-lhe a conhecer o que EU e as minhas princesas ouvimos ultimamente no NOSSO avião! contentes nós, pois claro!


mas agora expliquem-me cá uma coisa…como é que se contam estas coisas no feminino?

lamechas do raio que os parta, malvados homens…